Paixao desde pequena

Estávamos na sala. Minha família inteira, eu, meus 2 primos e minha irmã. A escadinha que foi criada junto. Primos-irmãos. Eles atleticanos de pai, tio, avô e todos os outros primos. Eu e minha irmã sem saber o que o preto e o azul tinham de tão rival que precisava de 11 pessoas pra ir pra guerra no campo verde.
Assistíamos a um jogo. Atlético e alguma coisa não lembro mais o q. Via meus primos felizes em gritar Galo, galo! Me perguntava sempre: “Por que Galo meu Deus do céu. O nome do time é atlético. O time tem que fazer gol. Por que raios o povo tá gritando galo?”

 

Entre frangos, galos e gol o atlético vence. É uma gritação do “galo”. Um mundo de abraços e vivas e comemorações e tudo pro alto. Eu, no AUGE dos meus 5 anos só assistia. Minha irmã, 3 anos mais perdida ainda.

 

Pois bem. Fui perguntar meu primo mais velho as duvidas que eu tinha juntado. Daí ele me ensina que todo time tem um mascote. Um animal geralmente. Que o do Atlético era o galo. E que muitas vezes todo mundo gritava galo ao invés de atlético. Arram, duvida animal abatida. E agora? Agora ele vem e me engambela. Me trapaceia e me obriga a gritar galo junto. Então vamos lá. GA-LO. Fiu fiu fiu fiu… Sabia de cor o hino e tudo mais dos campeões do gelo. Assim foi. Até o dia que minha mãe percebeu o rumo que eu tava tomando. E simplesmente disse: Galo? Seu pai torce pro Cruzeiro. Meu pai, meu herói. Rá! To fazendo errado.

Pronto. Isso foi o bastante pro meu galo virar pintinho e a raposa ocupar o lugar. Agora era o Cruzeiro (cruzeiro querido, tão combatido, jamais vencido! Empolguei) e o gramados de Minas Gerais. E essa paixão foi pior. Sabia os jogadores, o palhinha e o Dida eram os FODÕES da época. Eu via todos os jogos (pela televisão e não tinha muito interesse no jogo todo não, achava repetitivo demais.) e sabia até que tinha o escanteio. E que aquele carinha vestido de amarelo não era um jogador e sim o juiz. Cheguei até no level II pra mulheres que é saber o que era impedimento.

E os anos passaram. Eu, que moro a 10 minutos do mineirão nunca tinha ido. No mineirinho a única coisa que tinha feito por lá era ver a Xuxa e o Trem da Alegria. O resto, NA-DA! Meu pai nunca me levava, porque eu era o nenenzinho do papai que ia morrer pisoteada por um bando de macho favelado que não sabe andar.

Não adianta pai. Eu cresço. Bom, crescer nem tanto, mas envelheci. E isso era o bastante pra eu andar sozinha por aí. Daí fui com 2 amigos do interior que tavam morando aqui. Aventuras a parte pra comprar na mão de um cambista filha da puta entrei no estádio. Bonito. Grande. Torcida, Mafia Azul. Rapazes doidões, os reservas, gramado verdinho. GOL. Puts, de quem? Quem fez? GOL. Ah não perdi de novo. Maldita bateria que fica tocando e eu prestando atenção. GOL. Caraleo, prometo que não vou me distrair do jogo. Jogo, jogo , jojo, olha-o-jogo. Pênalti. Merda, não vi de novo. GOL. IRRAAA, eu vi um gol. Piii fim de jogo. Prometi que nunca mais vou ao minerão. E desde então venho prometendo a cada vez que estou voltando de lá. Nem sei mais quantas vezes já fiz essa promessa. E pretendo nunca cumprir!

 

 

 

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3 Comentários

Arquivado em futebol, paixoes

3 Respostas para “Paixao desde pequena

  1. Iza

    Cara…

    Nunca fui muito de futebol. Confesso que já torci pro Conrinthians (blé), tenho uma certa queda pelo Santos … Mas sempre tive um carinho enorme pelo São Paulo. É inexplicável, e só depois de grande fui entender e torcer pelo time que sempre gostei.

    Mas moro na Vila Belmiro, e torcer (nem que seja um pouquinho) pelo Santos, é quase inevitável.

  2. Tatá

    hahaha , pois eh … aconteceu tbm cmg .. via eu torcendo pro cruzeiro mas sem vontade, mais pq o papai era cruzeirense! daí quando gritei GALO! foi diferente meio que paixão a primeira vista! como é estranho vc entrar no mineirão ver seu time , sua torcida todos juntos com um mesmo ideal! e sentir seu corpo arrepiar! mas ainda bem mesmo q vc torça pro maior rival do meu time te amo e sempre seremos uma dupla!

  3. Poxa, a sensação de ir ao Mineirão e torcer pelo Cruzeiro é indescritível. Torcer para o Cruzeiro devia ser ensinado nas escolas. Hhehehehe.

    Faz certo em continuar indo ao Mineirão. É uma das melhores coisas pra se fazer em BH.

    Té mais.!

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